O governo dos Estados Unidos enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções
Em reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas avisaram que Washington caminha para classificar CV e PCC como organizações terroristas, a despeito da resistência da administração Lula. O Departamento de Estado argumenta que esses grupos movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro e que o aumento do rigor, por meio da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.
O aviso com antecedência é considerado uma “deferência” ao Brasil, tendo em vista que há países que não foram informados previamente sobre a medida. O México, por exemplo, não recebeu tal comunicado antes de a Casa Branca classificar seis grandes cartéis como terroristas.
A provável classificação de CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras [FTOs, na sigla em inglês] representa mudança de paradigma na política externa dos EUA para a América Latina. O status de terrorismo aciona o braço financeiro do Departamento do Tesouro com mais rigor.
Isso permite o congelamento imediato de ativos em solo americano e proíbe qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material, o que cria barreira para a utilização do sistema bancário global por essas facções
Por que Lula resiste à medida
Essa movimentação coloca o governo brasileiro em posição diplomática delicada. Enquanto o Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública tradicionalmente defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve ser tratado sob a ótica da cooperação policial, a abordagem de Washington eleva a questão ao nível de ameaça à segurança nacional.
A resistência do governo Lula consiste na preocupação de que tal classificação possa abrir precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas que afetem a soberania nacional, a economia doméstica e o setor de turismo.
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EUA manda aviso ao Brasil sobre ofensiva que fará contra CV e PCC.
Não é apenas um aviso diplomático que está em jogo. É uma mudança de regra no tabuleiro.
Quando os Estados Unidos sinalizam que podem classificar CV e PCC como organizações terroristas, o problema deixa de ser segurança pública local e passa a ser tratado como ameaça global.
E isso muda tudo.
Não se trata mais de polícia.
Se trata de sistema financeiro internacional.
Congelamento de ativos, bloqueio de transações, asfixia de redes de lavagem de dinheiro e pressão direta sobre qualquer estrutura que, de forma consciente ou não, tenha conexão com essas engrenagens.
O detalhe mais revelador não está no anúncio.
Está na necessidade de avisar antes.
Quando há resistência interna e, ainda assim, a decisão avança, o recado não é diplomático.
É estratégico.
E estratégico significa que já existe diagnóstico fechado.
O Brasil não está apenas lidando com facções.
Está no centro de uma disputa sobre quem define o limite entre crime organizado e terrorismo.
E quando essa linha é cruzada, o controle deixa de ser nacional.

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